A
missa campal no Santuário Mariano de Caacupé, a 60 Km de Assunção no Paraguai,
marcou o penúltimo dia da viagem apostólica do Papa à América do Sul. Durante a
homilia, Papa Francisco começou dizendo que se sentia em casa com o povo do
Paraguai e aos pés da Virgem dos Milagres, num ‘encontro de irmãos com a sua
Mãe’. Um Santuário que é local de família, segundo o Pontífice, e de “renovar a
paixão de viver a alegria do Evangelho”.
Em referência ao anúncio do Anjo à Maria com as palavras:
‘Alegra-Te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo. Alegra-Te, Maria;
alegra-Te!’, o Papa disse que Maria “ficou perplexa” e Se interrogou sobre o
seu significado. “Não entende grande coisa do que estava acontecendo; mas soube
que vinha de Deus e disse: Sim”, acrescentou o Pontífice.
“Um sim que não foi nada fácil de viver, como sabemos. Um sim,
que não a cumulou de privilégios nem distinções; antes, como Lhe dirá Simeão na
sua profecia, ‘uma espada [Lhe] trespassará a alma’ (Lc 2, 35). E sabemos que a
trespassou… Por isso A amamos tanto, encontrando n’Ela uma verdadeira Mãe que
nos ajuda a manter viva a fé e a esperança no meio das situações mais complicadas.”
E, seguindo a profecia de Simeão, o Papa recordou brevemente
três momentos difíceis na vida de Maria: o nascimento de Jesus, quando não
tinha uma casa para dar à luz e receber o filho; a fuga para o Egito, quando
tiveram que se exilar; e a morte de Jesus na cruz, num momento extremo para uma
Mãe. Momentos em que, certamente, Maria poderia ter se questionado: ‘onde está
Ele agora?’.
“Ela é a mulher de fé, é a Mãe da Igreja, Ela acreditou. A sua
vida é testemunha de que Deus não decepciona, não abandona o seu Povo, embora
existam momentos ou situações onde parece que Ele não está. Ela foi a primeira
discípula que acompanhou seu Filho e sustentou a esperança dos apóstolos nos
momentos difíceis. Foi a mulher que esteve atenta e soube dizer – quando parecia
ser o fim da festa e da alegria: ‘Não têm vinho!’ (Jo 2, 3). Foi a mulher que
soube ir e ficar com a sua prima Isabel ‘cerca de três meses’ (Lc 1, 56), para
essa não estar sozinha no parto. Essa é nossa Mãe, boa e generosa.”
O Papa Francisco também fez menção ao Santuário de Caacupé, que
“guarda como um tesouro a memória de um Povo que sabe que Maria é Mãe, que
esteve e está ao lado dos seus filhos”.
“Esteve e está nos nossos hospitais, nas nossas escolas, nas
nossas casas. Esteve e está nos nossos trabalhos e nos nossos caminhos. Esteve
e está à mesa de cada lar. Esteve e está na formação da Pátria, fazendo-nos uma
Nação. Sempre com uma presença discreta e silenciosa. Quando olhamos uma
imagem, santinho ou medalha, o sinal de um terço, sabemos que não andamos
sozinhos, que Ela nos acompanha. Por que motivo? Porque Maria quis estar no
meio de seu Povo, com os seus filhos, com a sua família.”
Um sentimento em relação à mãe que, segundo o Pontífice, o povo
paraguaio viveu, e hoje está compartilhando com todos.
“Todos vocês, todos os paraguaios têm a memória viva de um Povo
que encarnou essas palavras do Evangelho. E quero me referir de modo especial a
vocês, mulheres e mães paraguaias, que, com grande coragem e dedicação,
souberam levantar um país derrotado, afundado, submerso pela guerra. Vocês têm
a memória, o DNA daquelas que reconstruíram a vida, a fé, a dignidade do seu
povo. Como Maria, viveram situações muito, muito difíceis, que, vistas sob uma
lógica comum, poriam em causa toda a fé. Pelo contrário vocês, como Maria,
impelidas e sustentadas pelo seu exemplo, continuaram crentes, inclusive ‘com
uma esperança para além do que se podia esperar’ (Rm 4, 18). Quando tudo
parecia se desmoronar, diziam juntamente com Maria: Não temamos! O Senhor está
conosco, está com o nosso povo, com as nossas famílias; façamos o que Ele nos
disser. E, assim, encontraram ontem e encontram hoje força para não deixar que
esta terra caia no caos. Deus abençoe essa tenacidade, Deus abençoe e anime a
fé de vocês, Deus abençoe a mulher paraguaia, a mais gloriosa da América.”
Por
Rádio Vaticano

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