No
cenário mundial, dentro do contexto da colonização, muitos países ricos sempre
exploraram e sugaram as riquezas naturais dos países pobres, não dando a eles
oportunidade de desenvolvimento sustentável. Foram práticas de agressão e
desvio dos dons naturais, desequilibrando a natureza. Como consequência, temos
hoje as migrações em massa de povos em busca de dignidade.
Creio
que agora é enfrentar as consequências do egoísmo e da exploração desordenada e
pagar a dívida social que os países ricos do norte europeu têm com os países
pobres do sul. Eles não podem fechar as portas para os migrantes ávidos de vida
digna. A natureza, como se sabe, não perdoa. Mais cedo ou mais tarde ela busca
uma forma de sustentação e de equilíbrio no seu ser.
Numa
terra de liberdade e de vida, o poder e os bens não podem ser centralizados e
manipulados por poucas pessoas. As decisões precisam ser mais coletivas,
abertas à participação de todos, mas de forma consciente e responsável. O nível
dessa consciência tem sido muito baixo e não ajuda numa administração
sustentável.
Os
políticos têm medo de ser ofuscados em sua autoridade. Eles ligam autoridade
com poder, e poder com ter, ofuscando e prejudicando a vida de grande parte das
pessoas na sociedade. Por isto acontecem os desvios na administração, criando
desarmonia na história dos povos. Perdem a dimensão de ser servos do povo.
O
mundo precisa de mais diálogo. É o que faltava entre Estados Unidos e Cuba. O
papa Francisco intermediou esse diálogo, quebrando o egoísmo arbitrário de
políticos voltados para o “próprio umbigo”, prejudicando a vida de milhares de
cubanos, descartados em sua dignidade.
Dom Paulo
Mendes Peixoto.
Arcebispo de Uberaba (MG)
Arcebispo de Uberaba (MG)

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