Roma (RV) – “O Papa tem uma só palavra. Falou que a renovação
segue adiante, assim será. Se alguém traiu sua confiança, o problema é de
eventuais culpados. Não do Santo Padre”. Com voz pacata, mas palavras claras, o
Cardeal brasileiro João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os
Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, encerrou na
sexta-feira (06) com sua palestra a Assembleia da CISM (Conferência Italiana
dos Superiores Gerais) sobre
o tema “O dinheiro deve servir para governar e não governar”. Inevitável, pois,
falar também das ‘revelações’ sobre as finanças vaticanas.
“Existem situações herdadas do passado na maneira de gerenciar o
Vaticano até algumas décadas atrás. É preciso mudar. Por exemplo, em relação ao
IOR (Instituto para as Obras de Religião, ou Banco Vaticano), já foi realizado
um grande trabalho, porque às vezes não se conhecia nem sequer a origem ou a
finalidade do dinheiro que tinham sido depositados. Mas se a Igreja quer agir
seguindo o Evangelho, não pode utilizar o dinheiro que não serve para o bem do
homem. O Papa já fez muito para purificar estas situações”.
Nos casos de que se fala nestes dias, porém, pareceria mais uma
questão de pessoas.
“Efetivamente as pessoas podem trair a confiança, porque às
vezes não percebemos que quem ocupa determinados cargos tem problemas, por
assim dizer, estruturais. A Igreja terá sempre estas situações, mais o
importante é não passar por cima ou escondê-las. E nós estamos com ele (o
Papa), pela transparência e o valor do testemunho e da honestidade. Se há
pessoas que têm comportamentos contrários aos Evangelhos, é claro que não podem
ficar nestes cargos”.
Nestes dias a Cism debateu o tema da relação entre consagrados e
dinheiro. E o Papa afirmou na homilia em Santa Marta que é triste ver padres e
bispos agarrados ao dinheiro. Como se orientar neste delicado equilíbrio?
“Papa Francisco nos exorta a rever toda esta dimensão
econômico-patrimonial na Igreja e, em particular, na vida consagrada.
Precisamos voltar à visão do Evangelho. Não se pode servir a dois patrões. Deus
deve ter sempre o primeiro lugar. Os bens, que não são maus em si, vem em
segundo lugar e devem ser possuídos e administrados com regas que não estejam
em contraste com a Palavra de Jesus. Afinal, devemos voltar a acreditar mais na
Providência do que a conta no banco. Isto também requer que os bens devem ser
administrados com seriedade, utilizando todas as técnicas que a experiência
humana sugere. Também neste aspecto há muito o que progredir”. (SP)
Por: Rádio Vaticano

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